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Antes da implementação desses novos testes, o processo de identificação dos agentes dependia do crescimento do micro-organismo em cultura. Com isso, o resultado era obtido, em média, após cerca de sete dias. Além de tornar o diagnóstico mais ágil, a ampliação trouxe maior alcance às análises. O LACEN-PE passou a investigar, de forma simultânea, 22 patógenos em uma única amostra clínica – anteriormente eram 11 -, incluindo vírus, bactérias e parasitas, por meio de painéis de biologia molecular.
Segundo a diretora do LACEN-PE, Keilla Paz, a velocidade na confirmação do diagnóstico é determinante para orientar as decisões e evitar a propagação dos surtos. “O laboratório exerce função estratégica na resposta a essas ocorrências e, por isso, foram realizados investimentos em tecnologias capazes de identificar a origem do problema em menor tempo, permitindo a adoção de medidas de controle de maneira mais eficiente”, afirma a diretora.
“A detecção rápida dos agentes também contribui para definir a forma de transmissão da doença. Os surtos, vale salientar, geralmente acontecem por duas principais vias: alimentar e viral”, complementa Keilla Paz.
Um surto é caracterizado quando duas ou mais pessoas apresentam a doença – ou sinais e sintomas semelhantes -, após consumirem alimentos e/ou água de uma mesma origem, geralmente em um mesmo ambiente, como restaurantes, festas e eventos. Também pode ocorrer em residências, bairros, creches ou locais de trabalho.
Outra situação considerada surto é quando um município apresenta um padrão habitual de casos por semana e ocorre um aumento acima do esperado.
Os surtos de origem alimentar costumam estar relacionados ao consumo de água ou alimentos contaminados. Em períodos de temperaturas elevadas, os micro-organismos se multiplicam com mais facilidade, podendo causar sintomas como vômitos e diarreia. Quando envolvem bactérias como Salmonella, frequentemente associada a ovos, e Campylobacter, encontrada em frango cru, é comum que os casos ocorram entre pessoas que ingeriram o mesmo alimento.
Já os surtos causados por vírus, como o norovírus, se espalham principalmente por transmissão de pessoa para pessoa. “A contaminação pode ocorrer por mãos sujas, contato direto, gotículas expelidas em espirros, além da presença do agente em água e superfícies, o que favorece a rápida disseminação em locais com grande circulação de pessoas”, destaca Keilla.
Ao se considerar a facilidade de propagação de agentes virais, a principal forma de prevenção continua sendo a adoção de cuidados simples de higiene no cotidiano. A gerente de Vigilância Laboratorial das Doenças Transmissíveis, Mayara Costa, ressalta que as atitudes individuais têm papel decisivo na redução de casos.
“Temos sempre que reforçar a lavagem correta das mãos, a atenção com a limpeza de superfícies e o consumo de água tratada. Essas medidas são essenciais para interromper a cadeia de transmissão e garantir maior proteção à população”, conclui Mayara Costa.