Mais de 32 mil postes foram ‘limpos’, com a retirada de 124,5 toneladas de materiais de telecomunicações irregulares. Números expõe impacto das redes de internet na segurança urbana
A Neoenergia Pernambuco ampliou significativamente suas ações de ordenamento da rede em 2025, retirando 124,5 toneladas de materiais irregulares dos postes em todo o estado, um aumento de 20% em relação às 104 toneladas de 2024. O avanço revela não apenas o esforço da concessionária, mas também a dimensão do problema causado por empresas provedoras de internet que ocupam a infraestrutura de forma irregular, com equipamentos fora dos padrões de segurança, instalações sem seguir critérios técnicos e muitas vezes sem qualquer autorização da Anatel ou da distribuidora de energia.
Essas redes de telecomunicações, instaladas de forma clandestina ou fora dos padrões técnicos, têm sido responsáveis por centenas de incêndios em Pernambuco. Em 2025, foram registradas 635 ocorrências de incêndio, contra 496 em 2024. Embora o número de eventos tenha crescido, o impacto sobre os consumidores caiu, passando para 79.260 clientes interrompidos em 2025, frente a 171.505 no ano anterior. A redução de 54% nos clientes afetados demonstra uma maior robustez da rede de distribuição de energia e que o trabalho de remoção e fiscalização tem mitigado os efeitos das falhas provocadas pelas redes de telecom.
O esforço operacional também se refletiu no volume de infraestrutura tratada. Foram 32.498 postes trabalhados em 2025, contra 26.166 em 2024. Em paralelo, foram retiradas 2.015 caixas de telecomunicações em 2025, após 3.339 em 2024. Embora o número seja menor que o do ano anterior, ainda representa um volume significativo de caixas instaladas de forma irregular, muitas delas alimentadas por ligações clandestinas para atender redes de telecomunicações.
Essas caixas, que frequentemente abriga roteadores e switches instalados sem padrão técnico, aumentam o risco de incêndios nos postes, uma vez que a energização costuma ocorrer por meio de fraudes ou de forma improvisada a partir da rede do próprio consumidor ou de pontos de iluminação pública. Além de oferecer risco à população, esses dispositivos também colocam em perigo os técnicos das empresas regulares que atuam na manutenção da rede.
Diante de números tão alarmantes, conclui-se que o problema é estrutural. Pernambuco conta hoje com 827 empresas regulares, das quais 319 foram regularizadas em 2025, após ações de ordenamento. No entanto, ainda existem 298 empresas clandestinas com outorga da Anatel, além de outras que atuam sem qualquer formalização. Essas empresas são as principais responsáveis por irregularidades como redes clandestinas, vãos baixos e equipamentos fora de especificação, que aumentam o risco de incêndios e comprometem a segurança da população. Apesar desses problemas não serem exclusividade das clandestinas, tendo sido identificado em várias outras que estão regulares contratualmente com a distribuidora.
“O que os números mostram é que não estamos diante de um problema da rede elétrica, mas sim das redes de telecomunicações instaladas por provedores de internet sem critérios técnicos. Em 2025, trabalhamos mais de 32 mil postes e retiramos 124,5 toneladas de materiais irregulares. Isso é prevenção direta contra incêndios provocados por terceiros. Cada empresa precisa assumir sua responsabilidade, porque não é aceitável que o consumidor pague o preço da negligência dessas redes clandestinas”, afirmou o gerente operacional da Neoenergia Pernambuco, Fábio Barros.
Com pelo menos 10 equipes dedicadas ao ordenamento diariamente em todo o Estado, e atuação contínua em áreas críticas e eventos específicos, como Carnaval e São João, a Neoenergia Pernambuco reforça que o problema não está na energia, mas nas redes de telecomunicações irregulares. A concessionária seguirá ampliando o ordenamento em 2026, cobrando das empresas provedoras de internet o cumprimento das normas da Aneel e da Anatel, para que a infraestrutura urbana seja segura e resiliente.