O software será disponibilizado para uso em breve.
Pequenos e médios agricultores costumam enfrentar dificuldades para ter acesso rápido a orientações técnicas e informações sobre organização financeira. Pensando nisso, o egresso do curso de Administração e do Programa de Pós-Graduação em Dinâmicas de Desenvolvimento do Semiárido (PPGDiDeS) da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Tiago Souza Nascimento, desenvolveu, sob a orientação do professor Valdner Clementino, o chatbot Hortalix. A ferramenta foi criada para facilitar o dia a dia de produtores de hortas urbanas, oferecendo apoio inicial na identificação de doenças, orientações sobre cultivo, indicação de fornecedores de insumos e recursos para organização de receitas, despesas e recebimentos. O software teve seu registro concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 9 de julho, o que garante o reconhecimento oficial de sua autoria e titularidade.
O software funciona diretamente pelo WhatsApp, por meio de conversas em texto, áudio ou imagem. O Hortalix contribui para uma gestão agrícola mais profissional e auxilia na tomada de decisões mais seguras. “A proposta não é substituir um agrônomo ou outro profissional especializado, mas oferecer um suporte inicial, simples e acessível para as atividades do cotidiano”, enfatizou Nascimento. O software será disponibilizado para uso em breve.
Por meio da plataforma, o produtor pode enviar fotos de plantas para receber uma análise preliminar sobre possíveis pragas ou doenças, solicitar orientações práticas sobre cultivo, localizar fornecedores de sementes, fertilizantes e outros insumos, registrar vendas, despesas e recebimentos, consultar movimentações financeiras, acompanhar saldos e gerar relatórios com gráficos. O sistema utiliza inteligência artificial para interpretar mensagens e imagens enviadas pelos usuários, reunindo, em um único ambiente, apoio ao cultivo e à gestão financeira.
O projeto foi desenvolvido no final de 2024, quando Nascimento ainda cursava o mestrado e a graduação em Administração na Univasf, além de participar do Núcleo Temático do curso. “Durante as atividades do Núcleo Temático, eu e alguns estudantes de Administração desenvolvemos a ideia inicial de criar uma solução digital para apoiar produtores de hortas urbanas”, relatou o egresso.
Posteriormente, Nascimento percebeu que a proposta respondia diretamente aos desafios identificados em sua pesquisa de mestrado, relacionados à assistência técnica, à gestão, à comercialização e à inclusão digital. “Por isso, levamos a ideia para o mestrado, onde ela foi aprofundada cientificamente, aperfeiçoada e transformada no chatbot Hortalix, passando a integrar a dissertação como uma solução tecnológica voltada às necessidades reais dos produtores”, afirmou. Assim, o Hortalix passou a integrar a dissertação intitulada “Hortas Urbanas e AgTechs em Petrolina: diagnóstico socioprodutivo, tecnológico e proposta de solução digital sustentável”.
O desenvolvimento do software contou com uma equipe multidisciplinar. O projeto foi conduzido por Nascimento, sob orientação do professor Valdner Clementino, e, na fase inicial, recebeu o apoio de estudantes do curso de Administração, que contribuíram com a pesquisa e a concepção da ideia. “Posteriormente, contamos também com a participação do professor João Carlos Sedraz Silva e de estudantes da graduação em Computação, entre eles Igor Marcell, que contribuíram para transformar a proposta em uma solução tecnológica funcional e para executar o desenvolvimento do aplicativo”, acrescentou Nascimento. Dessa forma, o Hortalix é resultado da integração entre Administração, Computação e pesquisa acadêmica.
O registro do Hortalix no INPI significa que o Instituto reconhece formalmente a autoria da criação e assegura a Nascimento os direitos patrimoniais sobre o código-fonte do programa. Para o egresso, esse reconhecimento demonstra que a universidade pode produzir conhecimento que ultrapassa os limites da sala de aula e chega à sociedade de forma prática. “Para nós, ele simboliza o caminho percorrido por uma ideia que nasceu dentro de uma atividade acadêmica, ganhou força por meio da colaboração entre estudantes e professores e se transformou em uma solução concreta para um problema real”, concluiu Nascimento.