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A implementação de soluções práticas para qualificar a atenção oncológica é o foco do projeto “DANT: Ecossistema Digital para Gestão Compartilhada do Atendimento Clínico e de Indicadores de Neoplasias Malignas”, desenvolvido pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). A proposta é criar um sistema digital integrado que reúna e organize informações de saúde sobre casos de câncer, facilitando o acesso a esses dados nos territórios Sertão do São Francisco e Território de Identidade Piemonte Norte do Itapicuru (TIPNI). A iniciativa atenderá, inicialmente, os municípios vinculados ao Hospital Regional de Juazeiro, no âmbito da Rede PEBA, que abrange 53 municípios da Bahia e de Pernambuco.
Coordenado pelo professor do Colegiado de Ciências da Natureza do Campus Senhor do Bonfim, Manoel Messias Alves de Souza, o projeto será implementado de forma gradual ao longo de 36 meses, começando com um projeto piloto e expandindo progressivamente. A execução terá início neste mês de maio, e a expectativa é que as primeiras ações sejam realizadas já no começo de junho.
A ideia é melhorar a forma como os serviços de saúde são organizados e como as decisões são tomadas no Sistema Único de Saúde (SUS), ajudando gestores e profissionais a planejar melhor suas ações e garantindo que os pacientes tenham mais acesso a informações importantes sobre seu tratamento.
O Ecossistema Digital Integrado está estruturado em três componentes principais: uma base de dados que integrará informações hoje dispersas em diferentes sistemas do SUS; um dashboard interativo para monitoramento de indicadores oncológicos em tempo real; e um chatbot para interação, telemonitoramento e suporte técnico-científico com uso de inteligência artificial.
Entre as ações previstas, está também a formação de profissionais de saúde que atuam nos municípios, com o objetivo de fortalecer uma rede integrada de cuidado. A iniciativa permitirá que informações sobre o tratamento oncológico sejam compartilhadas com as equipes locais, qualificando o acompanhamento dos pacientes em seus territórios de origem.
De acordo com o coordenador, a proposta prevê impactos imediatos na organização do cuidado. “A partir de junho, as primeiras consultas e triagens de pacientes encaminhados para tratamento oncológico poderão ser realizadas, inclusive por meio de telecomunicação”, afirma. Paralelamente, será estruturada a base tecnológica do sistema, com o desenvolvimento gradual de protocolos, aplicativos e ferramentas como chatbots, voltados a facilitar a comunicação entre pacientes e profissionais de saúde.
Um dos diferenciais do projeto é a proposta de implementação de um sistema de “navegação do paciente”, conceito adotado pelo Ministério da Saúde. A iniciativa permitirá o acompanhamento mais transparente e contínuo do percurso do usuário no sistema de saúde. “A ideia é que seja possível saber, passo a passo, em que etapa o paciente se encontra, se já realizou exames e se está, de fato, em tratamento, garantindo mais eficiência e dignidade no acompanhamento”, destaca o professor Manoel Messias.
A proposta tem como base o Projeto DANT, pesquisa com delineamento transversal aprovada pela Câmara de Pesquisa da Univasf em 2024. Resultados preliminares apresentados durante o “Simpósio DANT - Doenças Crônicas e Agravos não Transmissíveis do TIPNI”, realizado em dezembro de 2025 no Campus Senhor do Bonfim, evidenciaram um dos principais desafios para a gestão dos serviços oncológicos na região: a ausência de um sistema de informação integrado que permita o compartilhamento de dados entre diferentes unidades e níveis de atenção do SUS.
Segundo o professor Manoel Messias Alves, o novo projeto surge como resposta a essa lacuna. Outro problema enfrentado na região e que o projeto pretende minimizar é a dificuldade de deslocamento dos pacientes para tratamento. De acordo com o coordenador, a dependência do Tratamento Fora do Domicílio (TFD) e a redução da oferta em determinados períodos comprometem o acesso aos serviços.
“Com o teleatendimento e o uso de inteligência artificial, será possível reduzir significativamente a necessidade de deslocamentos. A médio prazo, os pacientes poderão se comunicar diretamente com a equipe multiprofissional, sem precisar viajar com frequência. A expectativa é que a iniciativa contribua não apenas para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes, mas também para a otimização de recursos públicos”, finaliza o coordenador do projeto.
O projeto “DANT: Ecossistema Digital para Gestão Compartilhada do Atendimento Clínico e de Indicadores de Neoplasias Malignas” é financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (SETEC/DEPAI/CGIA), com investimento de R$ 1.123.973,00.